quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Logo abaixo vai um vídeo e um site sobre os nativos digitais e os imigrantes digitais. Acho que ambos batem bem com o que comentei anteriormente.

Vídeo:


Site:

http://biosferams.org/2011/08/nativos-x-imigrantes-digitais/

O futuro é agora!!

Em primeiro lugar, bem vindos ao século XXI. Vivemos atualmente um momento histórico de grandes mudanças em curtos períodos de tempo. São vários os fatos que mudaram entre os anos de 1990 e 2011. Obviamente poderia ficar dias falando sobre mil fatos que mudaram e revolucionaram essa virada de século, mas vou me ater à contextos educativos, como é o intuito desse blog. Levando em conta o gigantesco avanço científico e principalmente tecnológico que tivemos nos últimos anos, foi-se criando algumas segmentações na sociedade sobre até que ponto é benéfico e ideal a tecnologia no dia-a-dia das pessoas. Alguns dizem que a tecnologia é ótima e está nos fazendo saltar em avanços ao invés de caminhar lentamente, outros dizem que a tecnologia (principalmente a internet) é um problema gigante – pois afasta as crianças das famílias, dos livros, da convivência social, etc.
            A partir de alguns desses fatos, vamos começar falando sobre o que se pode ter como pontos negativos da tecnologia no contexto atual de educação. Gostaria de começar falando sobre a facilidade de acesso à informação que existe hoje em dia. Uma criança de dois anos de idade tem acesso as mesmas informações que uma pessoa de oitenta anos de idade, coisa que até acontecia antigamente, mas com uma freqüência baixíssima. Por exemplo, uma criança de dois anos de idade pode sentar no computador de sua casa, acessar a internet e descobrir o que está acontecendo na sua cidade – obviamente ela pode e irá ter uma interpretação diferente do que uma pessoa de oitenta anos, acerca dos fatos observados na internet. Mas agora levando mais a fundo isso, essa mesma criança de dois anos de idade pode acessar informações sobre física moderna, enquanto talvez um adulto de oitenta anos nunca tenha estudado ou visto isso antes. Parece que eu sou louco ao dizer isso, não? Obviamente seria sem sentido uma criança de dois anos de idade ir atrás de tal informação, mas e uma criança de oito ou doze anos? Já pensaram que esse adulto de oitenta anos, ou de cinqüenta talvez, pode ser o professor dessa criança que agora sabe sobre física moderna? Pois bem, hoje em dia enfrentamos um problema ao sermos professores, o mesmo problema que enfrentamos a milhares de anos: o medo. Essa característica emocional dos animais serve muito bem para momentos em que eles estão encurralados, pressionados por alguma adversidade não previamente calculada, etc. Sendo nós, seres racionais (como alguns gostam de dizer), tentamos sempre estar previamente preparados para a maioria das adversidades que podemos enfrentar, como por exemplo: a contestação e exposição de nossos conhecimentos diante de vários outros seres – onde iremos nos submeter a uma avaliação social se estamos aptos para desempenharmos a tarefa de docência bem como se temos o conhecimento devido para tal. Digo isso, tendo em vista que segundo Maturana (1998) nosso pensamento racional é diretamente afetado e derivado das emoções. Aqui levanto um dos desafios que temos na educação hoje em dia, o medo dos docentes de serem contestados ou pressionados de alguma maneira pelos alunos - por eles terem um conhecimento diferente, contrário, melhorado, etc, em relação ao exposto pelos professores.
            Outro desafio que é imposto pelas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) é que, como dito anteriormente, pode-se encontrar informações erradas, defasadas, modificadas, etc. Temos como exemplos os wikis, onde várias pessoas podem acessa-los e modifica-los da maneira que acham mais correto (sendo acrescentando, retirando ou modificando alguma informação). É claro que por contrapartida a isso Baumgartner (2004) diz que os blogs não tem tal problema. Os blogs são acessados por uma única fonte que irá mediar, “postar”, a informação de maneira aberta (onde qualquer um pode acessar o hiperlink e visualizar) ou de maneira fechada (onde só grupos determinados de pessoas, como usuários daquele blog poderão acessar tais informações), sendo assim de conhecimento dos usuários que buscam tais informações a sua fonte, e por conseqüência se consideram segura ou não essa fonte de informação.
            Também acho legal levantar o fato da má utilização das TCIs por parte de professores e/ou alunos. Para algumas pessoas que vivem na sociedade atual, esse é um mundo totalmente novo, o mundo tecnológico, e para essas pessoas desacostumadas com a inserção da tecnologia, às vezes, é complicado utilizarem-na, mesmo de modo simples, corretamente. Não adianta termos os recursos tecnológicos se mantemos metodologias antigas para esses meios novos, como vimos no vídeo em sala de aula. Claro que também precisamos levar em conta que alguns alunos não estão habituados a esse tipo de ferramenta, e outros nem acesso a elas possuem. O que acontece aqui pode entrar em conexão com o medo que alguns docentes possuem com relação à informação desenfreada que podemos acessar. Alguns professores criam “freios mentais” ou traumas com relação a tecnologias que irão acarretar a uma negação de tais recursos para educar seus alunos. Temos exemplos de professores que preferem que os alunos escrevam tudo a mão ao invés de digitarem em um computador.
            Mudando agora um pouco o ponto de vista das TICs, vamos buscar pontos positivos nos recursos tecnológicos.
            Inicialmente podemos dizer que os blogs proporcionam um acesso rápido, dinâmico, a vários tipos de conteúdos que normalmente são separadas por público a ser atingido ou assunto a ser abordado. Esse acesso também pode ser por parte tanto dos alunos como dos professores, tornando o ensino muito mais abrangente e totalmente diferenciado. Segundo Fofonca (2011) os blogs podem se adaptar a qualquer disciplina, nível, modalidade ou metodologia de ensino, o que os torna uma ferramenta com alto potencial.
            Além disso, segundo Baumgarter (2004) os blogs possuem uma vantagem de caráter exógeno em relação ao espaço educativo, pois são construídos através de hiperlinks e não dependem de um servidor exclusivo. Isso obviamente minimiza os custos de globalizar a informação e principalmente facilita muito o acesso e a publicação de mais informações na Rede. Caso fosse necessário um servidor exclusivo, seria altamente caro o aluguel deste servidor para que a informação pudesse ser veiculada. Entendo isso como uma forma que a Educação utilizou para aproveitar para seu benefício próprio a Rede, tendo como uma das ferramentas usadas os blogs.
            Como diz Almeida (2009), os blogs permitem aos autores definirem bem o foco de seus trabalhos (posts), o que por sua vez acaba definindo o público de acesso. Também podemos aproveitar aqui, com o que diz Almeida, para dizer que é uma boa maneira de verificar quantitativamente quantas pessoas se interessam pelo assunto “x”, se ele está acessível para o público que o procura (cuidando os comentários feitos sobre o assunto), se ele é bastante procurado pelas pessoas, etc. A partir disso, nós professores, podemos verificar qual assunto interessa mais para nossos alunos. Verificar o que eles pesquisam mais na internet, por exemplo, e tentar trazer os assuntos que lhes apetecem para a sala de aula é uma ótima maneira de se formular uma aula que vá ter algum significado para eles.
            “Nos blogs de divulgação científica encontramos artigos ou trechos de capítulos de livros que podem servir de fundamentação para pesquisas, assim além de democratizar o acesso à informação, acontece o acesso rápido ao conhecimento.” (FOFONCA, 2011). Esse ponto é bastante importante, pois é um dos motivos, na minha opinião, de hoje em dia ser tão utilizada a internet para se fazer trabalhos, por exemplo. Ao invés de ter que ir até uma biblioteca, perder tempo procurando livros, procurando páginas, assuntos, etc, simplesmente se põe em algum site de busca o que se procura e pronto, aparecem várias possibilidades e ainda por cima em ordem de maior número de acessos. Tudo o que os jovens querem para evitar o trabalho excessivo, perda de esforço desnecessário, etc. Mas o único problema aqui, é que muitas pessoas hoje em dia acreditam que aquele conhecimento está totalmente pronto para eles, acabam copiando e colando, ou absorvendo em forma de, segundo Freire, conhecimento bancário. Cabe aqui, a nós professores, ajudarmos os alunos da melhor maneira e criticar as informações encontradas, averiguar a veracidade delas, onde mais podem ser usadas além do assunto o qual tiveram que pesquisar, etc.

            E termino com a seguinte citação “No caso das TIC, elas representam, mesmo que ainda com acesso limitado, uma via de comunicação e educação que não pode ser ignorada, à medida que ambas as áreas estão em constante interação, uma servindo à outra, tanto na academia, quanto no cotidiano da sociedade. (TÔNUS, 2008, p.243).”. Acho que esse parágrafo diz por si tudo que é preciso. Então vamos nos adequar a esse novo mundo, pois nossos alunos ou futuros alunos já estão adequados a ele.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Vivendo a docência II

Vou agora tentar relacionar um pouco o que TARDIF traz em seus escritos. Quando comento de minha vida, e cito que desde o nascimento já temos uma inserção na docência, e que com o passar dos anos continuamos cada vez mais nos envolvendo com ela, tenho como sustendo o trecho onde TARDIF diz “o tempo de aprendizagem do trabalho não se limita à duração da vida profissional, mas cobre também a existência pessoal dos professores, os quais, de um certo modo, aprenderam seu ofício antes de iniciá-lo”. Claro que aprendem antes de inicia-lo, mas eu busco um pouco anteriormente ao citado no texto, onde é citado que ao estarmos na escola já vemos como os professores são, estereotipamos, rotulamos o modo de ser, formulamos em nossa mente uma espécie de modus operandi do professor. E apesar de ser uma construção que se dá aos poucos, ela irá ser resgatada drasticamente no futuro ao nos tornarmos professores, sendo para “imitarmos” algumas maneiras ou para não fazermos aquilo que achamos desnecessário ou nos trouxe desgosto durante nossa época na escola. Mas gostaria de trazer aqui um ponto que cito em minha postagem, começamos antes ainda a sermos docentes, até porque a docência para mim está intrínseca no ser humano, bem como em vários animais. Nós nascemos em um mundo envolto por isso, aprendemos a nos portar em devidos lugares, em devidas situações, etc.
            Vou trabalhar agora com outra parte do texto, onde é citado que “os saberes profissionais dos professores eram plurais, mas também temporais, ou seja, adquiridos através de certos processos de aprendizagem e de socialização que atravessam tanto a história de vida quanto a carreira.”. Essa frase me chama muito a atenção, pois reforça o que havia citado anteriormente e também onde falo em minha postagem anterior que minha família já tinha uma pré-determinação para eu assumir algumas profissões, e uma delas é a docência. Minha mãe era professora e trabalhava com crianças, meu núcleo social era favorável a esse caminho, minhas experiências na escola e adolescência me trouxeram motivos para me tornar professor, de tal maneira que me aproximaram desse campo sem nem mesmo eu perceber isso, e ao perceber fiquei totalmente encantado com essa profissão. Então, os meus saberes temporais, bem como o meio social onde estou inserido, me aproximaram drasticamente desse caminho que hoje sigo e pretendo seguir para o resto da vida.
            “se é verdade que a experiência do trabalho docente exige um domínio cognitivo e instrumental da função, ela também exige uma socialização na profissão e em uma vivência profissional através das quais se constrói e se experimenta pouco a pouco uma identidade profissional, onde entram em jogo elementos emocionais, relacionais e simbólicos que permitem que um indivíduo se considere e viva como um professor e assuma, assim, subjetivamente e objetivamente, o fato de fazer carreira no magistério.”. Aqui vou falar mais pelo que já vi, até porque não atuei ainda diretamente como professor. Já lecionei algumas aulas, trabalhei em um projeto de pesquisa com extensão em escolas, etc., mas a grande verdade é que, como citado no texto, o professor leva de 3 a 7 anos para se sentir a vontade com a profissão. Como não tenho esse tempo ainda de docência em escolas, não me considero ainda um professor (no sentido mais direto da palavra). Mas pelo que já vi e ouvi falar, concordo totalmente com esse trecho do autor. É comum ouvirmos aquela antiga história: “Ah! Mas eu me formei e fui dar aula, e ao chegar na escola foi um choque! Eu vim com idéias novas, revolucionárias, tentando melhorar algo e no fim fui vetado. Cortaram minhas asinhas. Os outros professores me disseram que nessa escola as coisas funcionavam diferente, que eu teria que me adequar à suas maneiras de ser e à maneira com a qual o conteúdo era passado nessa escola.”. Basicamente isso já cansei de ouvir. E o que tiramos daqui? Vou começar pela ilusão. É muito comum vermos professores ingressarem em escolas e se desiludirem totalmente com os métodos de ensino adotados por algumas escolas, pela forma de ser de alguns colegas de profissão, pela realidade do local, etc. É claro que isso vai acontecer, cada um de nós temos nossas individualidades, tivemos formações diferentes, em tempos diferentes, em contextos sócio-históricos diferentes. Somo únicos a medida em que vivemos e o “eu” de hoje não será o “eu” de cinco segundos depois. Tendo assim nossas individualidades, ao chegarmos na escola encontramos um ambiente social totalmente novo em que devemos nos inserir, e obviamente para isso precisamos nos adequar a esse ambiente novo. Imagina que você viveu toda uma vida na classe privilegiada, com riquezas infinitas, luxo, etiqueta, etc., e de repente a vida desaba e você vai a total falência. Tem que se mudar, ir morar na periferia, em meio às pessoas menos abastadas (bem menos por sinal), então você chega lá com seu modo de ser totalmente diferente do deles. Não irá demorar muito para acontecer uma de duas coisas: ou você irá se adequar àquele meio e conseguirá ficar bem, ou você não irá mudar e será excluído socialmente na mesma hora, sem piedade nenhuma do ser social que ali rege. É o mesmo que acontece nas escolas, ou nos adequamos, ou iremos sofrer as conseqüências do “ser social” que ali existe. Podemos notar também que temos uma gigantesca taxa de desistência por parte dos professores pelo trabalho de docência. A evasão é gigante em nosso emprego, já notaram? Já pensaram o porquê? E porque só é considerado que somos definitivamente professores após um tempo que está na faixa de 3 à 7 anos de profissão exercida? Não sou matemático, mas vou me aventurar de leve em uma fórmula básica para nosso mundo atual: tempo + ambiente = socialização.
            Buscando um pouco do que acabo de falar, é por isso que concordo plenamente com um argumento exposto no texto da NUNES, C. “considerada pelo autor como a mais urgente, seria a reflexão da sua própria Educação & Sociedade, ano XXII, nº 74, Abril/2001 39 prática de ensino pelo professor universitário de forma a minimizar o abismo existente entre as “teorias professadas” e as “teorias praticadas”. É por isso que devemos nos interar mais do assunto prático de nossa profissão, mesmo muito antes de chegarmos nas escolas, para evitar esse abismo que há entre o campo teórico e o campo prático de nosso trabalho. A maioria de nós já escutou várias e várias vezes que aquilo tudo que aprendemos na universidade podemos por no lixo ao irmos para uma escola. Não concordo em pormos no lixo, senão eu nem estudaria mais na universidade, mas concordo que é pouco utilizado ou não utilizado. Mas levanto aqui um pensamento, não conseguimos utilizar porque o ambiente é desfavorável a isso? Por falta de esforço nosso? Por precisarmos de uma revolução na escola ou por ela já estar passando por uma (sem termos notado) e a escola mudar para se adequar mais aos ambientes sociais em que ela está inserida ao invés de conteúdos a transmitir? Bom, fica a reflexão.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vivendo a docência


A jornada docente de qualquer pessoa tem início ao seu nascimento. Desde o momento em que nos deparamos com o mundo nós já começamos a molda-lo. Ensinamos nossos pais diversas coisas, algumas que talvez eles já tivessem conhecimento teórico mas não o prático. Então, estamos envolvidos na carreira docente desde o momento em que interagimos com os outros. Por exemplo, quando o bebê começa a chorar é porque algo ele quer. Ele está nos mostrando que o choro é por necessidade de algo, comida, conforto, carinho, etc. Então nós vamos tentando de tudo até acertarmos o que o acalme. Depois de um tempo, é comum os pais assimilarem tipos de choros ou comportamentos para cada necessidade da criança, assim notamos que os pais aprenderam com a criança. Partindo desse pressuposto digo que nossa carreira docente se dá início mesmo no berço, somos professores natos.
Nossas decisões são influenciadas pelo ambiente em que estamos inseridos – segundo Vygotsky (teoria do contexto sócio-histórico) – e bem como citado pelos textos de TARDIF & RAYMOND e NUNES, Célia - e , nossa formação, desde aspectos econômicos, sociais, culturais, etc., nos influência na tomada de decisão sobre nossa futura profissão, no meu caso a docência.
Vários motivos me levaram a escolher a docência como profissão futura. A grande verdade é que até meus 16 anos não tinha idéia do que queria fazer da vida. Essa fase da minha vida era muito turbulenta (como a da maioria dos adolescentes) e ainda estava tentando entender porque temos tantos problemas sociais. Claro que poderia ter escolhido Sociologia, Ciências Sociais, ou áreas próximas a estas para ajudar a sociedade. Porém eu sempre me identifiquei muito com animais, e também sempre consegui me “comunicar” muito bem com eles, algo me dizia que eu devia lidar com eles. Assim, ao concluir o ensino médio eu ainda estava com grande dúvida do que queria fazer da minha vida, mas decidi ingressar na biologia. Definitivamente eu achava muito interessante e lindo o mundo natural, não tinha dúvidas do que queria fazer, mas ocasionalmente eu entrei no curso de Licenciatura em Biologia. Até o então eu tinha me decidido trabalhar com animais, mas diretamente na área de pesquisa, nunca havia cogitado a idéia de dar aulas.
Depois de ter feito um semestre no curso de Licenciatura que fui começar a perceber do que realmente se tratava aquilo, e com o tempo descobri que eu podia ser professor/pesquisador caso tivesse uma pós-graduação e me tornasse professor universitário. Essa descoberta pra mim foi fundamental, pois percebi que podia ajudar a sociedade utilizando a ferramenta Escola e ao mesmo tempo pesquisar sobre animais, e o melhor de tudo, ganhando um salário digno de tal profissão.
A partir daqui comecei outra batalha, a de entrar na UFRGS. Eu estudava no IPA na época e tinha 17 anos quando ingressei lá, mas como estudei todo ensino médio em escola pública, e na minha opinião muito fraca, eu tive grandes dificuldades pra fazer um vestibular bom. Lembro que duas vezes não passei no vestibular por uns cinco pontos. Mas continuei levando aos poucos no IPA e sempre pensando em ser professor, principalmente pelo que vivi e pensando em ajudar as pessoas que tem todas as necessidades pelas quais já havia visto outras pessoas passarem.
Em um certo ano resolvi arriscar entrar na UFPel pelo ENEM, afinal, eu sempre fiz o ENEM com o intuito de ajudar o governo a averiguar como anda o ensino no país. Então tentei entrar lá e consegui. Lá consegui me interar muito melhor de assuntos sobre pesquisa/docência que as universidades oferecem e também descobrir muito mais sobre o mundo da docência. Fiquei totalmente fascinado por essa área. É lindo ver o quão influente é esse trabalho e como é possível melhorar a vida das pessoas só com “simples” palavras e gestos. Claro que tive também minhas decepções, como ao saber a péssima maneira que é utilizada a Escola – como cita Bourdieu ao falar do capital cultural e de como o Estado utiliza disso para manter o ciclo social que prefere, onde também vemos Platão comentar que a Educação é algo que o Estado deve se apoderar para formar seu futuro bem como entende – e de vários profissionais que trabalham na docência, porque não tem onde mais trabalhar. É interessante levantar esse ponto, pois, na Biologia todos sabem que os bacharéis que não continuam sua formação com uma pós-graduação tem chances ridículas de ter emprego e ganhar bem, mas na Licenciatura apesar de se passar dificuldades, algum emprego você irá conseguir – desculpe colegas biólogos, mas sabemos que isso é uma verdade (que considero mais um insulto a nós biólogos do que qualquer outra coisa) e que deve ser mudada. E bom, percebendo isso, reforcei mais minha idéia de tentar melhorar a situação de nossa sociedade, tentando dar mais possibilidades de ascensão social e econômica para as pessoas.
A grande verdade é que eu queria lecionar em escolas públicas, mas todos sabem que o salário é incomparável ao de um professor universitário, o que acho ridículo. Os professores de ensino básico, médio, superior, técnico, etc., tem a mesma responsabilidade, todos eles. São situações diferentes com caminhos diferentes de conteúdos a se ensinar, mas todos têm valor equiparável ao levarmos a um contexto mais amplo de análise. Tendo em vista isso, e que precisamos de dinheiro para se ter uma vida boa hoje em dia, pretendo então concluir meu ensino superior e após isso ingressar em um Mestrado e conseqüentemente em um Doutorado.
Bom, mas tentando sintetizar esse resumo de porquê escolhi a docência, gostaria de levantar alguns pontos, como o de tentar mudar a situação das pessoas nesse país em que vivemos, talvez por meus pais terem sempre me mostrado como é importante ajudarmos os outros e minha mãe já ter atuado nessa área, por achar fascinante esse tipo de atividade, por gostar muito de ajudar as pessoas – mesmo que seja uma ajuda mínima – e acredito que seja basicamente isso. Para alguns pode parecer ridículo, mas também acho que é karma.
Basicamente é isso, me despeço por aqui.